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Quanto cobra um personal trainer? Como calcular seu preço por aula e por mês

Ilustração de halteres ao lado de uma calculadora e de um calendário mensal em tons de verde e azul

Quanto cobra um personal trainer? Essa é a pergunta que todo profissional faz no começo e volta a fazer a cada reajuste. A resposta curta é: depende dos seus custos, das horas que você realmente consegue vender e do lucro que você quer ter. A boa notícia é que dá para chegar num número seguro com uma conta simples, sem chute e sem copiar o preço do colega.

Neste guia, você vai ver o passo a passo que o Sebrae recomenda para precificar serviços, adaptado à rotina de quem dá aula, e um exemplo completo para calcular o valor da aula avulsa, do pacote e da mensalidade.

Por que não dá para copiar o preço do colega

Olhar o que outros personais cobram ajuda a entender o mercado da sua região. Mas usar esse valor como ponto de partida é arriscado. O colega pode atender em condomínio, sem gastar com transporte. Pode ter mais alunos por semana, ou cobrar menos porque ainda está montando a carteira.

Se o seu custo é maior e você cobra o mesmo, a diferença sai do seu bolso. Por isso o caminho mais seguro é fazer a conta de dentro para fora: primeiro o seu custo, depois o preço, e só então a comparação com o mercado.

Passo 1: liste seus custos fixos do mês

Custos fixos são os gastos que aparecem todo mês, mesmo que você dê menos aulas. Para um personal trainer, costumam entrar:

Some tudo. Esse é o valor que suas aulas precisam cobrir antes de sobrar qualquer coisa.

Passo 2: descubra quantas horas você realmente vende

Aqui mora o erro mais comum. Você pode ter disponibilidade de manhã até a noite, mas não vende todas essas horas. Tem deslocamento, horário vago entre um aluno e outro, cancelamento e semana de feriado.

O Sebrae chama isso de capacidade produtiva: o tempo que você de fato consegue vender, não o tempo que você fica disponível. Seja realista. Conte as horas de aula que você deu nos últimos meses e use uma média.

Passo 3: calcule seu custo por hora

Com os dois números em mãos, divida os custos fixos pelas horas vendidas. O resultado é quanto cada hora de aula precisa carregar só para pagar a estrutura.

Depois some a sua remuneração por hora, aquilo que você quer receber pelo seu trabalho, como se fosse um salário. Ela também entra dividida pelas horas vendidas. O Sebrae chama essa soma de custo unitário do serviço.

Passo 4: some o que incide sobre cada venda

Alguns custos só aparecem quando o aluno paga, e crescem junto com o preço. São percentuais sobre o valor da aula:

O Sebrae lembra que a margem de lucro desejada costuma girar em torno de 20%, mas o número é seu. O que importa é que ele entre na conta, e não fique para "se sobrar".

Passo 5: aplique o markup

Markup é o número que transforma custo em preço. A fórmula indicada pelo Sebrae é:

Markup = 100 ÷ (100 - soma dos percentuais sobre a venda)

E o preço de venda fica assim:

Preço da aula = custo unitário × markup

Parece técnico, mas a conta cabe numa calculadora de celular. Veja no exemplo abaixo.

Exemplo hipotético: calculando o preço da aula

Os valores a seguir são um exemplo para mostrar a conta. Não são uma recomendação de preço nem uma média de mercado.

Imagine um personal que gasta R$ 1.200 por mês com transporte, celular, cursos e equipamentos. Ele vende, em média, 80 horas de aula por mês. Os custos fixos por hora ficam em R$ 1.200 ÷ 80 = R$ 15.

Neste exemplo, ele quer receber R$ 3.200 por mês pelo próprio trabalho. Dividido pelas mesmas 80 horas, isso dá R$ 40 por hora. Somando os dois, o custo unitário de cada aula é R$ 15 + R$ 40 = R$ 55.

Os percentuais do exemplo

Suponha que, sobre cada aula, incidam 6% de imposto, 4% de taxa de recebimento e 10% de margem de lucro. A soma é 20% (sem reserva para atrasos, para simplificar).

No exemplo, o markup fica 100 ÷ (100 - 20) = 100 ÷ 80 = 1,25.

O preço final do exemplo

Preço da aula no exemplo: R$ 55 × 1,25 = R$ 68,75. Arredondando, R$ 70 por aula avulsa.

Repare que o número saiu da realidade desse profissional. Se ele vendesse menos horas, o custo por hora subiria, e o preço também.

Da aula avulsa à mensalidade

Com o preço da aula definido, fica fácil montar outros formatos. Os mais usados por quem dá aula são três.

Aula avulsa

É o preço cheio. Funciona para quem treina de vez em quando, mas deixa sua renda instável: cada mês depende de quantas aulas o aluno marcou.

Pacote de aulas

O aluno paga um número fechado de aulas, muitas vezes com um pequeno desconto. Você recebe antes e reduz o risco de cancelamento. Combine por escrito a validade do pacote e o que acontece com aulas não usadas.

Mensalidade (exemplo)

O aluno paga um valor fixo por mês para uma frequência combinada. No exemplo do personal acima, um aluno que treina 2 vezes por semana faz cerca de 8 aulas no mês: 8 × R$ 70 = R$ 560 por mês. Com 3 vezes por semana, são cerca de 12 aulas: 12 × R$ 70 = R$ 840.

Alguns profissionais dão um desconto na mensalidade em troca da previsibilidade. Se fizer isso, refaça a conta para ter certeza de que o desconto ainda cobre seus custos e sua remuneração.

A mensalidade tende a ser o formato mais previsível para os dois lados, porque o aluno se organiza para um valor fixo e você sabe quanto deve entrar. Para entender como funciona esse tipo de cobrança, leia o guia de cobrança recorrente.

Depois da conta: compare com o mercado

Com o seu preço em mãos, aí sim vale olhar o que se cobra na sua região. O Sebrae recomenda essa etapa: o preço calculado mostra o mínimo que faz sentido para você, e o mercado mostra o quanto o cliente está disposto a pagar.

Personal trainer iniciante: quanto cobrar?

Quem está começando costuma ter menos alunos e, por isso, mais horas vagas. Isso faz o custo por hora subir. A tentação é cobrar pouco para atrair os primeiros clientes, mas preço muito baixo é difícil de subir depois.

Uma saída é fazer a conta com a quantidade de horas que você espera vender daqui a alguns meses, e não só com a de hoje, e revisar o preço quando a carteira crescer. Combine com os alunos, desde o início, quando costuma acontecer o reajuste.

Erros comuns na hora de definir o preço

Perguntas frequentes

Existe tabela oficial de preço para personal trainer?

Este guia não usa tabela de preços, porque o valor certo depende dos seus custos e da sua região. O método acima ajuda a chegar no seu número.

É melhor cobrar por aula ou por mês?

Depende do perfil do aluno. A mensalidade dá mais previsibilidade de receita. A aula avulsa e o pacote atendem quem treina sem frequência fixa. Muitos profissionais oferecem os três formatos.

De quanto em quanto tempo devo rever o preço?

Refaça a conta sempre que seus custos ou sua quantidade de alunos mudarem bastante. Avise os alunos com antecedência antes de qualquer reajuste.

Devo incluir a taxa de pagamento no preço?

Sim. Qualquer percentual que sai de cada pagamento entra na soma do markup, para não reduzir o que você recebe.

Conclusão

Saber quanto cobra um personal trainer começa por saber quanto custa a sua hora. Liste os custos, conte as horas vendidas, some sua remuneração, aplique o markup e só então compare com o mercado. Com essa conta feita, fica mais fácil montar pacotes e mensalidades que fecham para você e para o aluno.

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Escrito por Caio Rezende, persona editorial da GoSession. Este texto foi escrito com apoio de inteligência artificial e passou por revisão editorial da equipe GoSession.

Fontes

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